O Lean como vantagem competitiva

Blog post by Carla Dupas

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março 17, 2022 | Conceitos Lean

Os desafios do ambiente de negócios vêm crescendo, dia após dia, diante de um cenário altamente globalizado, competitivo e de mudanças rápidas e significativas. A mudança, por si só, muitas vezes é um processo doloroso – e pouco aceito pela maioria das pessoas. Contudo, é fator necessário para manter-se no páreo frente à forte competição. Hoje, ser competitivo é condição para manutenção dos negócios e busca por rentabilidade. Possuir vantagens competitivas é condição para evolução dos negócios.

Empresa Eficiente

Ser uma empresa eficiente significa conseguir produzir produtos ou serviços com menor consumo de recursos, sejam eles mão de obra, matéria prima, máquinas, insumos, energia elétrica, dentre vários outros. Custos de produção reduzidos tornam uma empresa mais rentável e, consequentemente, mais competitiva. E é neste contexto que introduzimos o Lean como um fator de alavancagem de competitividade.

As práticas abordadas pelo Lean, que podem ser aplicadas em diversas áreas da empresa – e não apenas no ambiente produtivo como outrora era pensado e praticado -, fazem com que as empresas se tornem mais eficientes, mais rápidas ao entregar seus produtos ou serviços aos clientes e que o façam com melhor qualidade. Esses são, sem sombra de dúvida, fatores importantes e que contribuem para a eficiência operacional e para a saúde financeira das organizações.

O exemplo da Toyota

O maior – e, certamente, melhor – exemplo de como as práticas Lean colaboram para que se alcance vantagens competitivas é a pioneira de tudo isso: a Toyota. A Toyota é a companhia que conseguiu mudar drasticamente um cenário de eminente falência para se tornar a maior fabricante de automóveis no mundo através diversas práticas de excelência, que hoje compõem a abordagem Lean.

O Lean, através de suas ferramentas e métodos, é capaz de transformar uma empresa de tal maneira a ponto de fazer com que ela se destaque das demais. E por onde começar? Bem, tudo no Lean começa por entender o que agrega valor sob a perspectiva do cliente. E isso nos introduz a dois conceitos-chave (e bastante conhecidos) no Lean: valor e desperdício. A melhoria contínua é o que move as empresas a melhorarem constantemente seus processos e a treinarem suas pessoas na busca por excelência.

Excelência e competitividade

Empresas de excelência são, consequentemente, competitivas. A eliminação de desperdícios, por si só, gera ganhos potenciais de redução do tempo de resposta para o cliente e diminuição dos custos, além dos benefícios diretos que podem ser vistos nos resultados das companhias. Além destes, outros dois grandes benefícios que são cruciais para o sucesso competitivo das companhias: a melhoria da qualidade e o aumento das vendas.

De acordo com Nishida (2007), “o prazo ou ‘lead time’ (…) é um dos fatores mais importantes para garantir a capacidade competitiva de uma empresa e ampliar suas possibilidades de expansão de mercado”. Na abordagem Lean, a redução do Lead Time é consequência de processos com menos desperdícios, padronização do trabalho, produção puxada e em ritmo, entre outros.

Redução de custos: uma empresa que adota o Lean não apenas visando reduzir custos, mas, em primeiro lugar, visando levar mais valor ao seu cliente, consegue reduzir não somente seus custos como também o de seus clientes. O tempo de espera, o retorno por defeito e a força-tarefa de não contar com um fornecedor confiável acrescentam custos ao processo dos clientes. Ao eliminar grande parte destes problemas através do Lean, é possível tornar-se um parceiro confiável no negócio de seus clientes (BYRNE, 2013).

Melhoria da qualidade: a qualidade, como um importante fator de competitividade, tem a capacidade de fidelizar clientes, que, com frequência, escolhem produtos e serviços que atendam às suas expectativas. O custo de fidelizar um cliente é cerca de um sexto do custo de conquistar um novo cliente, além de torná-los promotores de sua marca. Esta é outra premissa essencial da abordagem Lean, pois não se admitem erros, nem retrabalhos. Costumamos dizer na Staufen que “qualidade é fazer correto na primeira vez”. Grande parte desta busca na eliminação por erros está centrada na visão de solucionar problemas de forma estruturada.

Aumento das vendas: o aumento de vendas, advindo das mudanças geradas pelo Lean, são visíveis (e mensuráveis) em muitas empresas que foram transformadas, sendo um fator de alta relevância – e talvez o maior – quando se trata de competitividade. Aumentar as vendas é um reflexo de clientes mais satisfeitos, produtos com maior valor agregado e ganho de market share. O aumento de vendas ocorre através de liberação de capacidade que antes era mal utilizada (com perdas de tempo ou produzindo defeitos) e agora se torna disponível para produzir e atender demanda latente no mercado.

Aqui vão alguns exemplos reais de resultados com a implementação do Lean:

  • Queda no Lead Time de 4 a 6 semanas para 1 ou 2 dias, num período de 10 anos, numa empresa de capital aberto norte-americana (BYRNE, 2013);
  • Redução média de 23,1% nos custos operacionais, num período de 3 anos, em uma empresa brasileira do setor de construção;
  • Os custos com mão de obra, componentes e pagamentos diversos de uma fabricante automotiva japonesa, era, aproximadamente, 3.500 dólares menor do que de suas maiores concorrentes (TADASHI, 2004);
  • Lucro bruto cresceu de 38% para 51%, num período de 10 anos, numa empresa de capital aberto norte-americana (BYRNE, 2012);
  • Crescimento médio anual da receita de 22%, num período de 3 anos, em uma empresa brasileira do setor de construção;
  • Qualidade de atendimento de clientes com melhoria de 48 pontos percentuais, num período de 10 anos, numa empresa de capital aberto norte-americana (BYRNE, 2012);
  • Volume de vendas 31% maior do que a sua maior concorrente, em uma fabricante de automóveis japonesa (TADASHI, 2004).

Inovação, eficiência e competitividade

O Lean, que para muitos é visto como uma ferramenta, pode, comprovadamente, ser um grande aliado na busca de empresas altamente competitivas. Ele deve ser a estratégia em busca de competitividade, e não apenas a ferramenta. No entanto, adotar uma estratégia Lean não significa abandonar todas as estratégias desenvolvidas anteriormente. É possível manter-se focado em desenvolver novos produtos, adentrar novos mercados, ao mesmo tempo em que melhora a qualidade, o atendimento ao cliente, entre outros fatores. A maior diferença é que, com o Lean, é possível atingir estes resultados de maneira mais rápida, com custos menores e de forma sustentável ao longo do tempo.

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